Escrita de Viagens

No último sábado, a Cristina apresentou na Alfândega do Porto o seu livro Sentir. E eu estive lá. Porque o amor tem muitas formas e esta é apenas mais uma.

A minha intenção é levar quem sonha, quem quer conhecer, quem quer viver o verdadeiro Brasil

Agradeço profundamente cada dia do ano que agora finda. Que seja este que se aproxima rico em vivências e pleno de realizações.

E do tanto que já fiz lembrei-me … de como este ano de 2016 começou há 25 anos e de como precisamos de tempo para compreendermos tudo o que a vida nos tira, nos troca e nos dá!

Eu que sou de datas agradeço estes trezentos e sessenta e cinco dias cheios de sonhos realizados de vida vivida.

Se este era o meu objectivo? Era (…) Entro nos desafios para me superar e ganhar.

Agora, vou organizar as ideias (…) Depois, quem sabe, numa próxima viajamos juntos!

A viagem de Salvador a Itaparica duraria cerca de uma hora e a conversa fluía solta partilhada entre sorrisos amigos.

Aqui tudo se sente de forma intensa, aqui não se precisa ver para crer, aqui o que é de lá vem p´ra cá e não precisa de explicação, aqui tudo tem um jeito especial de ser!

Os passos são firmes. Seguem um caminho que escolhi e que trilhei com a certeza do destino.

Senti toda a natureza em comunhão comigo. A descansar-me. A tranquilizar-me.

E cheguei e os pensamentos que me acompanhavam são agora a minha realidade … a liberdade tornou-se um vício.

Para mim, foi o encontro com o verde, com todos os tons de verde, que cinquenta não seriam suficientes! Local de reflexão e contemplação por excelência, é a paz e a tranquilidade que todos procuramos na natureza.

O Rio tem lugares que só podem ser o que são porque são lá. Não são exclusivos da cidade maravilhosa mas são únicos. Inimitáveis!

E eu pedia, em silêncio, que para sempre me lembre do que cá vim fazer!

Rendida percebo porque agradeço a minha vida, porque aceito tudo o que vivo e porque me abro a tudo o que virá.

A noite do Rio é mágica e os segredos que se contam, na beira da mesa do bar, permanecem e não despertam com o dia. É a vida boémia que é assim cheia de luz neon por vezes confundida com as promessas da luz das estrelas!

“Renascia e, por isso, haveria de agradecer, mais tarde.”

Não tenho palavras para o que se seguiu … mas tenho muitos instantes!

Agora ia viver tudo o que sonhara a vida toda … ia ver os sítios tão bem conhecidos das fotografias, as praias das revistas, as avenidas das novelas. Tinha medo porque a realidade raramente supera o sonho.

Já era noite cerrada, embora ainda fosse fim de tarde, e as câmaras apontavam para todos os pontos que conseguiam alcançar na tentativa de imortalizar o momento. Para mim, foi mágico!

Saudade não é falta. Saudade é presença imortalizada dentro da gente.

A energia está dentro de nós e a indumentária não nos define, nem nos muda, para o bem ou para o mal. Uma das muitas lições de desapego que aprendi!

Este é um blog sobre a verdadeira Viagem, aquela que nos leva a nós mesmos e de quem, tantas vezes, fugimos

A minha ligação ao Brasil é de raça negra, é de navios negreiros, é de escravos, é de passados longínquos, mas é também de redenção, de perdão, de paz.

Tudo fazia sentido!

Fomos seguindo a orla, a marginal, começando na Barra, avistando o Farol, onde Salvador se transforma numa mulher de curvas elegantes e cabelos dourados, que bela é!

Tomei um banho demorado e frio e descansei sobre os lençóis brancos, da cama imensa, sem horas, com o vento quente a fazer dançar as cortinas leves, pois outra história, nas muitas histórias da minha vida, estava prestes a começar!

as lágrimas não param de rolar … É alegria mas brindada com muita emoção!

Os olhos punham-se em mim como a questionar quem era, se estava mesmo sozinha, e eu, por minha vez, sentia-me inquieta. Estar sozinha não é cómodo. Não é fácil. Mas eu sabia desde sempre que nada era fácil. Sorria, disfarçando uma serenidade que não tinha.

“O nosso único objectivo é fazer este seu cruzeiro exceder as suas expectativas e assegurar-nos de que todos os seus momentos a bordo são inesquecíveis.”

Ali tinha todo o tempo do mundo para mim. Ler aliás era a minha actividade preferida porque percebi ter tempo de verdade e ninguém, rigorosamente ninguém, me interromperia. E isso é algo a que não estou habituada!

Entrei. Fiquei tão, mas tão feliz! Tudo o que pensava era exactamente como na fotografia que havia namorado durante meses.
Uma janela por cima da cama para o oceano!

Todos passavam para trás e para frente, invisíveis, e apenas o cheiro a castanhas assadas me guiava. É que são quentes e boas, canta-se!

De certo, ninguém imagina a vida de cada um. E nem é preciso. Basta que cada um viva a sua!

O número sete representa a totalidade, a perfeição, a consciência, a intuição, a espiritualidade e vontade.

“Gosto deles. Gosto de olhar pra frente e não ver onde acaba. Gosto de sol, de abraço, de rir muito alto e de não me achar um merda por estar sem grana.”

Na música, o meu privilégio é dado a tudo o que me agrada … do fado ao popular, do samba à mpb, do rock ao pop … simplesmente se me agrada eu gosto, se não gosto, eu nem ouço! Simples assim!

Hoje verifiquei, pela centésima vez, os documentos necessários, as vacinas, as marcações confirmadas, os pedidos especiais, as actividades previstas e as sonhadas imprevistas, os livros que tenho de deixar e os que vou levar, as músicas ao vivo, gravadas, acústicas ou de roda de samba.

Eu prefiro sempre escolher. Por vezes não me agrada. Sei até que nem sempre estou certa. Mas as escolhas impõe-se.

Pratica o despego dos bens e segue somando riquezas.

Vou comer, rezar e amar pois é um triângulo redondo que encerra a minha essência. Vou voltar também. E vou voltar a partir. E vou ser mais eu mesma.

A minha vida tem tantas vidas quantas as músicas que tocam no meu gira-discos.