MPB, um jeito de Ser Brasileiro

MPB UM JEITO DE SER BRASILEIRO

Música Popular Brasileira. MPB, para os amigos! MPB, um jeito de ser brasileiro! Vem comigo!

MPB UM JEITO DE SER BRASILEIRO

Na música, o meu privilégio é dado a tudo o que me agrada … do fado ao popular, do samba à mpb, do rock ao pop … simplesmente se me agrada eu gosto, se não gosto, eu nem ouço!

Simples assim!

Mas depois, na música, mais do que em qualquer outra arte, eu entrego-me a alguns. É assim desde menina. E, ultimamente, tenho pensado sobre quem teria sido mais importante na minha vida? A vida vivida? Ou a vida sentida?
E, concluí, que na minha vida sentida há pessoas mais importantes do que na minha vida vivida. E na música, na mpb está um jeito de ser.

MPB, um jeito ser brasileiro (sem ser, sendo).

Querem ver?

O meu primeiro grande amor foi o Roberto Carlos. E, garanto-vos, não há amor como o primeiro. O Roberto, com aquela voz melodiosa, tão simples e imediato, arrebatou o meu coração de menina. Com ele sonhei estar nos braços do amor, em beijos quentes e lágrimas de paixão. Com ele, eu escolhi o meu futuro. Eu queria ser feliz numa fé inabalável em mim mesma … e eu sou!

Cresci e, entre pop e rock anglo-saxónico, o Roberto, do meu Brasil Brasileiro, foi-me apresentando todos os que fazem parte de minha banda sonora particular. Assim, logo de inicio e, a par, sempre esteve Erasmo Carlos. E eu gostava, eu gostava muito … era um bad boy e eu gostava!

Mas, depois, chegou ela. Sem ser bonita, era linda. Com os seus cabelos ondulados, cheia de uma sensualidade que me despertava para outros mundos. Descalça era ela, Maria Bethânia. Com Bethânia percebi o mundo mais profundo dos sentimentos dos homens e das mulheres. Da terra, da dor, da perda e do amor.

A sua voz era para mim um despertar que me comove até hoje!

A adolescência abria lugar a uma juventude inflamada e um Caetano Veloso cantava “Força Estranha” ao lado do Roberto e eu percebi, assumindo um pouco dessa força estranha que me enchia de amor e de alegria e que poucos entendiam mas ainda assim era como eu queria ser, sentir, amar!

Em jeito de rendida, surge uma menina magra, de lábios finos vermelhos, que conta que desde menina ouvia, sonhava, amava o Roberto e o Erasmo e que “agora quem está aqui sou eu” … era Marisa Monte … é óbvio que a amei na hora. Era como se estivesse a ver-me e por isso aquela só podia ser uma boa rapariga!

E é. É a mais talentosa. A mais poeta. A mais cantora.

A Marisa é um mulherão, de uma voz imensa, meiga, verdadeira e que ama infinitamente e eu só podia ouvi-la sempre, a toda a hora, desde sempre e para sempre.

Mas havia também um moço de olhos azuis que me intrigava, nem era tão moço assim … ele também cantava o amor. Pois os poetas são, antes de tudo, mensageiros do amor. Mas ele cantava muito mais. Ele gritava, contestava, bebia, se enrolava, se perdia. Chegou à minha vida, já eu não era menina, já eu era mulher e que bem o recebi.

O Chico era de outra dimensão …

O Chico era não só ele, mas todos os que com ele vieram. O Chico é Noel, Cartola, Caymmi, é Vinicius, é Tom, é Toquinho e o Chico também é Roberto, Bethânia, Caetano, Elis, Gal. E o Chico somos nós, as mulheres!

Era eu a tornar-me mulher, tinha trinta e muitos anos, e as músicas da minha vida faziam-me sentir plena.

Uns traziam-me outros e eu não precisava de perder tempo com novidades de bolso que chegam à velocidade que vão.

A internet, o youtube e os concertos (muito menos dos que gostaria de ver e ouvir) traziam à minha vida todos os poetas, os cantores e cantoras que me davam tudo e tanto mais … menciona-los todos é tarefa difícil mas, e apesar da música inglesa, francesa, espanhola e americana também existirem na minha selecção, a verdade é que o universo musical brasileiro preenche o essencial do meu imaginário real …e há uma pérola paulistana que eu ouço sempre (todos também já ouviram, uma vez qualquer!!!) cantada por Adoniran Barbosa … chama-se Trem das Onze e tem aquele começo delicioso

“Não posso ficar nem mais um minuto com você / Sinto muito amor, mas não pode ser”

E por aí vai … samba canção é um género encantador e com personagens míticas da realidade carioca e da cidade da Garoa, Adoniran Barbosa é um deles!

Então, certa vez, enquanto procurava companhia para o almoço, surge Trem das Onze, a voz que me era estranha mas que enamorou … assim, desde logo, eu percebi, sem sequer saber quem era, que aquela voz me rendia. Era ela, Maria Gadú!

Prefiro chamá-la de Maria … Simplesmente Maria …

No início falava com paixão arrebatadora, depois com terno amor, agora já não falo … Sorriem-me os olhos, que falam por mim … Poderia ser uma história como outra qualquer mas, a mim, diz-me muito … Tão nova, tanta vida, tanta atitude … Ao ouvi-la reflectir … Sem rodeios e meios receios, percebo logo porque ela veio ao meu encontro e eu a abracei … “É que, eu creio, ela me cativou” …

E, então sinto-me iluminada, abençoada porque os anjos existem e protegem-nos e tenho estes anjos a olharem por mim desde sempre! E por isso agradeço!

Viva a música! Viva o poder da musicalidade! Vivam os músicos!

mh

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