Preparar pouco antes de partir

A principio, antes de partir é preciso prepara. Preparar pouco antes de partir.

Vou ao Brasil. O porquê? Já vos contei. 

Afirmam: Vais de férias, portanto!

Esclareço: Não. Vou trabalhar. E sonhar.

Perguntam: Como assim? É possível trabalhar e sonhar?

Respondo: Não o sei fazer de outra forma. E depois vou ler.

No início, quando iniciei a preparação desta viagem uma das minhas preocupações foram as malas. Que raio de preocupação!

Ora vejam, as questões eram: Quais e quantas levar? Que peso carregar? E, claro, as respostas foram claríssimas: levar UMA mala grande onde caiba tudo para ter a única mão livre que uso, a esquerda!

E, obviamente, leve, sim, tem que ser uma pena!

Era necessário preparar pouco antes de partir.

E seria, se a levasse vazia, mas mulher que se preze leva o seu mundo atrás! Surpreendentemente, eu achei que não.

Bem, talvez levar o mundo seja muito mais que demais, mas, com efeito, o armário com toda a certeza.

E, por ordem, o armário onde obviamente estão incluídos desde calções de algodão e calças de linho, até saias flutuantes e vestidos [curtos, de malha, compridos, coloridos, pretos, brancos], tanto como blusas, tops e t-shirts, e sim, imensos, biquinis [muitos biquinis], alguns casacos (prá noite, pró dia, pró se tiver frio, pró se chover], ainda os meus botins preferidos [que são três], cintos a condizer com os botins, sapatos [nem vou especificar], sapatilhas (idêntico aos sapatos]. Ah, já estou cansada!

Nem vou falar dos cosméticos, que não estão no armário de vestir, mas no armário da casa de banho (nem pensem que vos vou dar seca) que está cheio a transbordar. Mas agora era preciso preparar outras coisas.

Era necessário preparar pouco antes de partir

Hoje é dia de balanço! Porquê? Porque está tudo prestes a mudar e pensar sobre as coisas é algo que me exijo. Para seguir em frente tenho de saber o que procuro, tenho de fazer e, acima de tudo, acreditar!

Quarenta dias! Comecei a escrever este blogue há quarenta dias. Cinquenta textos diários, traduzidos em páginas, linhas, certezas, dúvidas (quem as não tem), sonhos. Nem dei pelo tempo passar!

Há encontros celestiais. Preparados pelos Deuses. Pelo Criador. Ou simplesmente pelos amigos. Ontem, no Porto, foi um dia desses. De encontros.

Os amigos estão a entrar nos ‘entas todos os meses e uns há que festejam. E assim foi ontem. Atrasada, como sempre, para um almoço, já de si, tardio, cheguei esbaforida, depois de subir o Infante e parte da Mouzinho.

Era necessário preparar pouco antes de partir

Entrei no Cantinho do Avillez, gosto de lá ir, e logo os vi. Éramos dez. Um número redondo e ideal para uma mesa de conversa, risadas, comida e vinho. Dei um abraço carinhoso ao meu bom amigo. E depois um aceno à mesa. As caras eram me tão familiares que uns já me pertencem, mas nem todos. Ao meu lado, sentada, estava ela que com olhos simpáticos me recebeu. Talvez se tenha assustado um pouco. Eu estava, digamos, a arder … de calor e de vergonha por chegar tarde a um alargado almoço-lanche.

Como tenho tanto a acontecer na minha vida, fui respondendo ao que me perguntavam, anunciando algumas surpresas e falando, pois que falo muito, e a encontra-la que se me ia revelando como se de mim falasse. Os sonhos, a vida, as etapas, a família, o marido (tão como o meu), o Brasil … a dada altura diz-me “És tão parecida comigo que até irrita!” e sou, e somos.

É que o Brasil está em mim desde sempre e eu nunca lá fui … mas enquanto eu sonhava, há uns anos atrás, com as águas transparentes e cálidas de Jericoacoara, ela e ele (que é o apaixonado do Brasil) deitados nas areias douradas do Ceará abriam a Porta Azul dos seus sonhos!

Bem haja quem sonha e não tem vergonha de ser feliz! Falta um mês. Vou embarcar para atravessar o Atlântico rumo ao Brasil!

Pratica o despego dos bens e segue somando riquezas. E antes de partir, preciso preparar pouco antes de partir

Estou a olhar para o calendário em cartolina branca com a quadrícula de quarenta e dois espaços, datados, mas em branco, e a pensar … “Ora bem …”

O tempo voa, não é o que dizem? Mas o meu varia entre a planagem livre e desequilibrada de um ultraleve que sabe que vai chegar, só não sabe como!  E a contagem decrescente de um foguetão em vésperas de ir à lua que, ao contrário, sabe como parte mas não sabe se chega!

Tenho mil coisas para preparar e tudo o que me apetece é o meu sofá, as minhas crias, o meu chato preferido e o meu Dão (entenda-se o cão e o vinho!) e cristalizar o momento. Vou morrer de saudades! Mas vou viver! Vou-me sentir perdida. Mas vou-me encontrar!

Ora bem, digo … começa pelas coisas aborrecidas: telefones, horários, testes, médicos, ração, mercearias, lanches, contas, festas de anos, códigos, contactos, chaves, veterinário, medicamentos, tpc’s, testes, trabalhos, livros a ler, rotinas, pode, não pode, skype, mail, smartphone, carregadores … ufa! Será que esqueço de alguma coisa? Ah, António calça as meias depois do banho e seca o cabelo … senão constipas-te! E Francisco, sai desse quarto e não comas o pote de Nutela numa tarde de folga. E, lembrem-se, passear o Dão de manhã e à noite, tem de ser.

Custa deixá-los mas custa mais ficar e não lhes ensinar que, na vida, somos nós que temos a obrigação de fazer acontecer para sermos felizes!

É isto de preparar pouco antes de partir

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