Tempo Corrido

Acordei e nem um fio de luz via, nem uma nesga dessas luzes que estão lá quando acordamos, percebi imediatamente que não eram horas. Que só eu estava ali. Todos os outros permanecem em descanso. A insónia tem me visitado muitas vezes por estes dias por isso o melhor é recebe-la. O tempo corrido começa cedo.

Tenho tanto dentro de mim que se torna insuportável guarda-lo. Preciso largar o que é meu mas não me pertence. Sinto que não digo nada apenas solto pensamentos de ideias fixas que teimam em persistir.

O dia ainda não nasceu mas o meu dia será belo de feições, com peso e altura admiráveis, cheio de saúde e um belo sorriso porque hoje é dia de tudo poder acontecer. Até ter uma insónia.

Levantei-me e, como fervilhava de pensamentos, com uma chávena fumegante companheira destes imprevistos, cada vez mais previsíveis, vim à cozinha. Abri o amigo de longas horas de escrita. Abri-o pronto para as receber. As palavras são as minhas aliadas em momentos de semeadura.

Caio na tentação de mais tempo corrido. Gosto e … clique! Gosto mas … sem clique! Não gosto mas … sigo! Leio e … partilho! Leio mas … calo! Ou nada! Simplesmente nada! O tempo corre. O tempo corrido dá-nos a ilusão de que a vida é isto. Mas não é. Não é, não.

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Eu gosto que gostem e agradeço cada minuto dispensado ao meu sonho que eu espero que inspire muitos outros que se esqueceram de como se sonha. Que perderam a garra de quando eram miúdos, e se achavam capazes de tudo. Embora ache que na essência somos miúdos a vida inteira. Que venham comigo viver esta e tantas outras aventuras. Que acreditem em si, que acreditem nos outros. Que riam ou chorem, emocionados. Que gostem!

Mas mesmo que não gostem, não importa. Eu sempre soube que existem os dois lados. Quanto a mim, seguirei porque acredito e isso não depende dos gostos! Depende da arte de sonhar. De imaginar.

Sem tempo corrido. Sem pressas.

A arte de imaginar é infinita e na sua imensidão há quem se perca mas há também quem dela fuja. Atribuem aos tolos a imaginação fértil, o absurdo, o impossível, o demasiado.  Com certezas de papel seguem, os outros, esses que se dizem sãos, a realidade baça, a mente quadrada, o possível que se merece, o quanto-baste que se tem. Nada disto sem ordem certa ou proporções ajustáveis.

Eu pertenço ao mundo dos tolos. Sou tola porque sonho. Sou tola porque rio alto. Sou tola porque amo. Sou tola porque ando em contramão. Sou tola porque quero. Sou tola porque gosto. Sou tola porque posso.

Poder é o verbo que mais nos liberta. Não o Poder nome. Esse aprisiona. Mas eu posso, tu podes, ele pode, nós podemos, vós podeis, eles podem é absolutamente libertador. É uma gaiola de porta aberta de onde se sai e se entra com a vontade de quem sabe que nada o pode prender.

O tempo corre corrido e eu sei que, em breve, começarei a contagem regressiva de um tempo que não voltará a ser como dantes. Nunca, nada, volta ao que foi.

As rotinas impõem-se e o trabalho toma-me as horas, que passam sem relógio, sem ponteiros, sem marcações. Cada dia, que poderia ser igual ao anterior, é diferente. Nada se repete. Quer dizer, tudo se repete mas nada é igual.

E, comodamente, instalada numa vida tão sossegada, quanto agitada, até frenética, quase sempre calculada, cheia de imprevistos, eu reviro-me, reinvento-me e desconforto-me. É uma inquietude, esta que me acompanha. De um tempo que corre, sem tempo corrido.

Há quem diga que vou atrás de respostas. Como? Se nem questões tenho.

mh

About the author: Viagens da Helena

"Eu sou a Helena. Tenho quarenta anos (+ 2), sou Leão, nascida e criada no Porto. Sou tripeira de gema! Mãe de dois filhos, o Francisco e o António. Sou uma filha presente e uma irmã mais ausente do que gostaria. Sou amiga de todos os que me chegam, mas conto pelos dedos os que guardo para a vida."

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