Brasil, Mudar de Vida, Viagens

Terra à Vista

Terra à Vista

Nove dias se passaram e, como prometido, tinha terra à vista … chegava a Salvador da Bahia logo ao despontar do Sol e não continha em mim toda a emoção que isso representava.

Chegar ao Brasil foi um dos maiores acontecimentos da minha vida! Chegar a Salvador, primeira capital do Brasil onde chegaram os  meus patrícios quinhentos anos antes, de navio entrando pela Bahia de todos os Santos foi transcendente e simbólico! Nada mais voltaria a ser como antes e o melhor é que tudo vinha cheio de Paz e Amor! Assim o acredito!

Depois de tudo preparar na noite anterior, fiquei com a roupa que vestiria e uma carteira de mão pequena. Tudo, eu tinha metido dentro da grande mala que me acompanhava. Queria chegar leve e solta e não perder nada: os cheiros, as cores, as gentes, os sons!

Do navio saí como entrei, sozinha, e percebi ao longo de toda a viagem que esta nova forma de estar, que eu nunca, nunca tinha vivido, me agradava e viria a ser a que mais falta me fazia. Descobri que estar sozinha a descobrir o desconhecido é absolutamente enriquecedor e me preenchia, bastando-me os que se cruzavam no meu caminho. Muitos foram os que conheci e que levarei pela vida porque deram-me a certeza da essência humana: o Homem é essencialmente Bom e nisso eu vou acreditar sempre.

O desembarque foi muito sereno e organizado, correndo tudo como esperado. Não dormi quase nada até porque me deitei muito tarde a queimar os últimos cartuchos na companhia da Sissa. As horas que me separavam da saída da cabine, às sete, eram poucas e a ansiedade muita … passei-as a ver o céu estrelado da janela por cima da minha cama enquanto sonhava com o restinho que me faltava para a nova realidade!

As minhas expectativas eram gigantes porque dizê-las altas, grandes, muitas … não chegava. Eram exageradas, desmesuradas, imensas porque eu sabia, sempre soube, que a minha história com o Brasil é uma história de amor … de amor à primeira vista, à primeira música, ao meu primeiro sonho!

Após o pequeno almoço, às seis, no Restaurante Panorama, reuni-me, como indicado, no Salão Broadway, com os passageiros do meu piso. A saída foi organizada por decks e os primeiros a sair seriam os do nove e, por ordem decrescente, depois sairam os outros sucessivamente. Entregaram-nos o passaporte, recolhido dias antes para preparar a entrada no Brasil. E agora era o final.

O cruzeiro não terminava em Salvador mas em Santos, São Paulo, por isso não iriam sair todos, embora houvesse quem fosse fazer excursões por Salvador que de novo regressaria ao navio. Devido aos tramites da polícia federal brasileira a saída foi mais lenta e tive ainda tempo de passear uma última vez pelo navio, entregar uma toalha de piscina esquecida, e de perceber que ali deixava uma parte importante da minha descoberta …

mh

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1 thought on “Terra à Vista”

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