A viagem de Salvador a Itaparica duraria cerca de uma hora e a conversa fluía solta partilhada entre sorrisos amigos.

Aqui tudo se sente de forma intensa, aqui não se precisa ver para crer, aqui o que é de lá vem p´ra cá e não precisa de explicação, aqui tudo tem um jeito especial de ser!

Senti toda a natureza em comunhão comigo. A descansar-me. A tranquilizar-me.

Fomos seguindo a orla, a marginal, começando na Barra, avistando o Farol, onde Salvador se transforma numa mulher de curvas elegantes e cabelos dourados, que bela é!

Tomei um banho demorado e frio e descansei sobre os lençóis brancos, da cama imensa, sem horas, com o vento quente a fazer dançar as cortinas leves, pois outra história, nas muitas histórias da minha vida, estava prestes a começar!

as lágrimas não param de rolar … É alegria mas brindada com muita emoção!

Os olhos punham-se em mim como a questionar quem era, se estava mesmo sozinha, e eu, por minha vez, sentia-me inquieta. Estar sozinha não é cómodo. Não é fácil. Mas eu sabia desde sempre que nada era fácil. Sorria, disfarçando uma serenidade que não tinha.

De certo, ninguém imagina a vida de cada um. E nem é preciso. Basta que cada um viva a sua!

“Gosto deles. Gosto de olhar pra frente e não ver onde acaba. Gosto de sol, de abraço, de rir muito alto e de não me achar um merda por estar sem grana.”